Quem sou eu
Infância e primeiro contato com computadores
Minha infância foi um tanto quanto engraçada: era uma mistura de jogar muito futebol e gostar muito de esportes, ao mesmo tempo em que eu era viciado em computador. Meu pai tinha um computador na fábrica onde trabalhava, e foi lá que tive meus primeiros contatos.
Lembro que usava pra jogar. No começo eram os jogos do Click Jogos, bem famoso aliás. Com o tempo passei para os jogos de emulador, coisa que vinha muito da minha irmã, e era bem legal.
Minha infância inteira foi um misto dessas coisas: praticamente sempre ligado aos esportes, mas com uma grande ponta na parte de computadores, e eu tinha uma boa facilidade com tudo isso.

Essa trajetória é mais focada no profissional, então não quero envolver muito a família, mas não posso deixar de citar a minha irmã, a Carolina Russi Ferla. Muito disso vem da influência dela: minha irmã era a nerdezinha que via anime o dia todo e vivia no computador, e foi ela que me influenciou muito.

Nessa foto vocês me veem secando a louça. Basicamente, minha mãe fazia eu secar e minha irmã lavar, mas eu não alcançava, então tinha que fazer um caminho de cadeiras pra conseguir secar. E sim, eu sei que é engraçado (kkkk).
Profissionalmente, minha irmã foi a pessoa que mais me incentivou, direta e indiretamente. Ela é uma pessoa bem única e muito focada, extremamente inteligente e disposta a fazer de tudo pra conseguir o que quer. Não é do tipo que fica ligando muito pra você, mas, incrivelmente, eu e ela temos uma relação muito boa.
Vale ressaltar que ela participou de todas as etapas da minha carreira, desde o meu primeiro emprego de verdade até o resto da minha trajetória, e tenho um carinho especial por ela.
O primeiro contato com programação
Me formei no ensino médio no CEDUP Hermann Hering, uma escola técnica com vários cursos, onde escolhi o de informática. Foi lá que tive meu primeiro contato com programação. E bem, eu odiava. Não conseguia entender absolutamente nada, e hoje sei que era muito pela fase: eu era um adolescente que não ligava pra muita coisa.

Bem provavelmente perdi o boom da programação. No meu primeiro ano, um pouco antes da pandemia, o dev estava em alta: era aquela fase em que, se você soubesse fazer uma calculadora em Java, várias empresas te contratavam. Vi vários colegas já conseguindo trabalhar em empresas grandes. Eu nunca parei pra aprender muito, mas lembro disso ter ficado na minha cabeça. No segundo e no terceiro ano veio a pandemia.

Primeiro trabalho
Se não contar os anos em que meu pai me colocava pra fazer etiqueta na fábrica, esse foi meu primeiro trabalho de verdade. Entrei como estagiário no SAMAE (o serviço de água e esgoto de Blumenau) no segundo ano do ensino médio, ainda durante a pandemia, que só foi acabar no meu terceiro ano.
Naquela época eu não sabia, mas usava um sistema de ERP, e logo peguei bem as coisas. Trabalhava no rádio, atendia os motoristas e fiscais e emitia as folhas de serviço deles. Aprendi bastante lá, principalmente a me comunicar melhor. Em pouco menos de 1 mês eu já conseguia atender sozinho e me virar, mesmo sendo estagiário.

E agora?
No fim do ensino médio eu não fazia a mínima ideia do que fazer da vida. Sabia que queria fazer algo grande, e isso sempre me chamou atenção.
Lembro de ter me preparado pra um vestibular: estudei alguns meses e me empenhei bastante. Queria fazer medicina e acreditava que, estudando bastante, eu conseguiria. No fim as coisas não foram como o planejado, e acho que fui pra algo bem mais legal.
A edição
Como eu entrei
Foi então que abriu uma nova janela pra minha vida. Minha irmã começou a namorar o Bryan, um criador de conteúdo aqui de Blumenau, dono de um canal de true crime em ascensão, o Colecionador de Ossos (hoje Ossos Perdidos), e eles precisavam de um editor. Minha irmã me chamou e eu aceitei: eu sabia bem do potencial do YouTube e não queria perder aquela oportunidade.
Então lá fui eu aprender a editar. Nunca tinha mexido em nada de edição, no máximo editei vídeos pra trabalhos no ensino fundamental, e aprender foi bem legal. No começo era muito legal mesmo: fazia meio período presencial na casa do Bryan e logo fui pegando o jeito. O tempo foi passando e o canal foi crescendo. Nessa época morei um tempo sozinho em Blumenau e, depois, fui morar com a minha mãe em Barra Velha.

O trabalho em si
Por mais que no começo fosse legal, o trabalho logo ficou cansativo. Falo por todos os editores: a gente sofre muito. Edição de vídeo é a parte chata do processo criativo de um vídeo. São várias partes que se repetem demais, e geralmente é um processo lento e repetitivo, pelo menos a maior parte dele.
Muitas vezes eu vacilei. Pensava que era por eu ser irresponsável, e em grande parte era, mas muito era porque eu não gostava daquilo. Isso não me fez querer parar de aprender: por mais que eu não gostasse, eu dava muito valor praquilo. O problema é que eu oscilava muito. Mas no fim aprendi coisas que levo comigo até hoje.
O que eu aprendi
No começo eu fazia o processo dos vídeos inteiro pelo Premiere, sem nada de IA, então muita coisa eu aprendi na mão mesmo, principalmente decupagem e processos criativos.
O Bryan era bem perfeccionista, e acho que devo muito a ele. Foi uma das pessoas que me mostraram, profissionalmente, como dá pra fazer algo caprichado. Ele fazia um trabalho impecável; vale a pena dar uma olhada no canal dele, o Ossos Perdidos, a qualidade era incrível.
Perto do fim da minha jornada lá, comecei a aprender a fazer composições em 3D no After Effects, e isso realmente me chamava atenção. Tenho vídeos de algumas que eu fiz, e pra mim era demais. Sempre gostei de animação; acho que era a parte que eu mais gostava de fazer.
A IA chegando
Quando eu comecei no canal, o GPT engatinhava. Logo depois, acho que no segundo ano, já estávamos usando o GPT, o ElevenLabs e algumas ferramentas de IA do pacote Adobe em quase todas as partes do processo de criação de vídeos, e era impressionante.
Acompanhei a evolução de perto: o Preenchimento Generativo do Photoshop foi evoluindo junto com a geração de imagens do GPT. Tínhamos um plano pago e ele mandava muito bem. Hoje nem se compara: testando o GPT-Image 2.5, o Seedream 5.0 e etc., você consegue ver onde estamos. Mas naquela época foi praticamente ver as coisas acontecendo de perto.
As coisas deixando de andar
No quarto ano, infelizmente, as coisas no canal já não andavam como o esperado, por questões da empresa e alguns problemas pessoais que prefiro não citar. Eu nunca tinha gostado muito de editar e já estava postergando muito, então decidi: queria trocar de profissão, mesmo sem saber ainda pra qual.
A troca de carreira
Procurando alternativas
No meio desse processo comecei a procurar várias frentes pra mudar de área. A primeira foi tentar abrir um canal no YouTube e fazer algum tipo de criação de conteúdo, eu e um amigo meu, o Thiago Jung Morais. Tentamos várias frentes: primeiro um canal de futebol, e esse processo inclusive foi muito engraçado.
Depois tentamos abrir uma loja de roupa. Tínhamos feito quase tudo: marca, vídeos pro TikTok e pro Instagram, que estão lá até hoje, no Instagram da Southside. Foi muito legal tudo isso.
O Thiago já era programador e, no meio do processo, como via que eu estava procurando trocar de área, me recomendou virar programador. Me incentivou a fazer o curso do Entra21 e, por sorte, as inscrições estavam abertas. Felizmente consegui ser aprovado. Isso foi no final de 2024, e o curso começaria em março de 2025. O curso era em Blumenau, então vim morar com a minha vó, que tem casa aqui, e minha mãe ficou em Barra Velha.
Uma decisão equivocada
Passei na turma de Java do Entra21, e foi muito empolgante pra mim. Acho que sou o tipo de pessoa que vive intensamente, já me falaram isso (kkkk). Pode ser isso, ou pode ser só que eu não penso muito quando estou empolgado.
Sei que, logo no começo do curso, pedi demissão do meu trabalho. Me arrependo bastante disso, porque o que veio depois foi bem frustrante, mas pelo menos me deu mais tempo pra estudar.
O Entra21
Agora começaria meu primeiro contato com programação por vontade própria mesmo. Lembro que eu queria me empenhar muito: claro que tinha a pressão de trocar de carreira, mas eu realmente queria ser bom naquilo. Estudei intensamente, ficava sempre uns 4 assuntos na frente da turma e fazia todos os desafios.
Tive um professor muito bom, o Henrique Delegrego, que sempre me passou desafios e me acompanhou de perto. Foi muito legal estar na turma dele, e aprendi muito com ele. Quando você entra pra estudar programação, parece um universo repleto de coisas pra aprender em que você se perde. Ele me manteve firme e, com confiança e empenho, consegui ir bem longe.
Eu não sabia absolutamente nada quando entrei e saí com uma base bem sólida. Cheguei a usar Spring Boot com Java e já conseguia fazer alguns projetos tranquilamente. Naquela época ainda tinha um leve preconceito com IA e acreditava que precisava fazer tudo na mão, o que me rendeu horas estudando e fazendo exercícios.
O Themyra
Foi no Entra21 que conheci o Tarliomar Silva e o Gustavo Zarth Perotto, e formamos nosso grupo pro TCC: o Tarliomar, o Gustavo, eu, o Joel e o Jadison. Decidimos fazer o Themyra, uma ferramenta que analisa se um site é seguro: ele passa por uma pipeline de scripts de web scraping e por uma análise de IA com modelos gratuitos do OpenRouter. O vídeo logo abaixo mostra direitinho como funciona.
Eu já estava bem avançado no backend. O problema é que, num grupo de 5 pessoas, adivinha: ninguém queria fazer o frontend. Então peguei essa frente. Ia ajudar no backend, mas fiz o frontend inteiro do projeto na mão.
E a todo mundo que trabalha com frontend: parabéns, é muito difícil aprender isso. Digo porque aprendi do zero também, e foi incrivelmente difícil (kkkk).
Tenho orgulho de dizer que fizemos esse projeto praticamente todo na mão, com muito pouco auxílio de IA, e aquilo trouxe muita experiência pra nós.
A grande frustração
Sem vaga
E agora vem, acho, o período mais frustrante da minha jornada. Lembra que falei que pedi demissão antes de terminar o curso? Eu tinha uma reserva de dinheiro, mas ela não durou o curso inteiro: na metade, comecei a trabalhar pra me manter. E acreditava que, quando o curso terminasse, já ia arrumar algum trabalho na área.
Não foi bem assim. Depois da apresentação do TCC eu não conseguia absolutamente nenhuma vaga. Fiz várias entrevistas e nada. Eu precisava de dinheiro pra me manter, e foi aí que precisei arrumar qualquer emprego que estivesse na minha frente.
O posto telefônico
Trabalhei em dois lugares bem difíceis, digamos assim. Primeiro num posto telefônico, uma espécie de lan house que vendia de tudo, dentro da Cooper, uma rede de supermercados daqui. Acho que ganhava menos que um estagiário, numa escala 6x1. Ali eu fazia de tudo, desde encapar caderno até vender cigarro. Foi onde mais trabalhei na minha vida (kkkk), e ali aprendi a dar valor às coisas.
Entrei ali na metade do Entra21 e fiquei até o fim do curso, e foi bem difícil: estudava de manhã e trabalhava à tarde, e sobrava um pouco do fim de semana pra descansar. Lembro que sempre pensava que precisava estudar pra sair dali, e foi isso que fiz. Continuei estudando muito e procurando vagas, mas infelizmente não achava nada.
O mercado
Depois do posto telefônico trabalhei no supermercado Komprão, em Barra Velha, porque, quando o curso terminou, voltei a morar com a minha mãe lá. Mais um trabalho bem difícil: eu ficava no caixa das 14h às 22h. O bom é que ali eu só trabalhava no fim de semana, mas era bem chato também.
Nesses trabalhos eu até me divertia e me empenhava bastante, mas sempre pensava em como queria estar na programação. Ainda mais vendo meus amigos trabalhando com isso, e minha irmã, que nesse tempo também trabalhava com programação. Parecia outra realidade.
A faculdade online
No finalzinho do ano eu não conseguia vaga em lugar nenhum e tentei mudar de estratégia. Até então eu sempre buscava vaga como dev. Decidi começar uma faculdade online, Análise e Desenvolvimento de Sistemas na Gran, porque não tinha dinheiro pra pagar uma presencial, e tentar vagas de estagiário. Hoje faço Engenharia de Software, também na Gran e também online.
Por incrível que pareça, deu certo. Consegui algumas entrevistas, e uma delas foi na Dati, aqui em Blumenau. Voltei a morar com a minha vó.
Uma nova perspectiva
O portfólio
A Dati é uma consultoria parceira da AWS (a nuvem da Amazon) e IA first, ou seja, uma empresa que usa muita IA e incentiva todo mundo a usar. Foi lá que tive minha primeira oportunidade. Primeiro veio a entrevista, e lembro de ter me empenhado muito: depois de tudo que eu tinha passado, não podia deixar essa escapar.
Antes da entrevista, que foi marcada com os líderes, pesquisei o perfil de cada um e fui ver o que eles faziam. A única informação que eu tinha é que eles usavam Python e um tal de Bedrock (o serviço da AWS pra usar modelos de IA). Me perdoem, mas eu nunca tinha visto AWS na vida naquela época. Mesmo assim, foi o suficiente pra eu montar um portfólio com 3 projetos em Python e AWS.
Uma semana antes da entrevista mandei o portfólio pra todos eles, e a resposta foi bem legal: todos gostaram do meu esforço e me elogiaram.
A entrevista
Enfim chegou o dia da entrevista. Me preparei e fui, e era outro mundo. A Dati fica no 5º andar do prédio da AmbevTech, aqui em Blumenau, e nem preciso falar que tudo me deslumbrava.
A entrevista foi até bem tranquila. Eles me contextualizaram sobre a empresa e falaram das certificações que tinha lá, o que logo me chamou atenção. Depois me mostraram a empresa, e o sorriso não saía da minha cara. De onde eu tinha saído, nada se comparava com aquilo.
Naquele dia prometi pra mim mesmo que não perderia aquela oportunidade e que, se conseguisse, ia me esforçar ao máximo.
O primeiro dia
E deu tudo certo. Um dia depois da entrevista já tinham me chamado, e entrei como estagiário no time de Solutions, que era formado por Labs, IA e Dados. Eu fazia parte do Labs, um time focado em criar e testar coisas novas ao mesmo tempo em que tocava projetos internos. Meu primeiro dia foi bem legal: fiz onboarding com muita gente, e tive como padrinho (a pessoa que acompanha o estagiário nos primeiros meses) uma das pessoas mais queridas, que considero um amigo de verdade, o Juan Felipe Voltolini. A gente costumava chamar ele pelo nome inteiro, porque o cara era bom (kkkk).

Os primeiros dias e semanas foram muito legais, conheci muita gente. Uma das pessoas que mais me ajudou, e que hoje também é meu amigo pra sair e pra conversar, foi o Josimar Zimermann. Eu vivia chamando ele, porque não sabia fazer nada naquela época.
O Josimar é uma das pessoas mais incríveis que já conheci. Não importava a pergunta, ele ia te ajudar. Com toda certeza era o dev mais experiente da empresa, e ele não só te ajudava: parava o que estava fazendo, te explicava e até desenhava, se precisasse. Foi um grande exemplo pra mim.
Teve um episódio que foi muito engraçado. Já na quingentésima vez que eu chamava ele, a conversa foi assim:
— Josimar, tá ocupado?
Ele tira o fone e pausa a música.
— Não, não, só tô trabalhando!
Não sei se isso é tão engraçado escrito, mas eu ri demais quando ele falou. Enfim, tenho muita saudade desse período. Tenho bem mais coisas pra contar da Dati, mas esse começo eu guardo com carinho.
A busca pelas certificações
A Dati usava muito o Kiro CLI, a ferramenta da AWS que leva a IA para o terminal: é o harness, o programa em volta do modelo, que deixa você conversar com ele e dá a ele acesso ao seu projeto para ler e escrever código, e ali tive muito contato com IA. Depois de aprender bastante com o Josimar e com meus colegas, eu já conseguia fazer as coisas com certa autonomia.
Na Dati havia as certificações, e o processo era bem legal. Existem 12 certificações AWS, em vários níveis; o primeiro são as fundamentais, AI Practitioner e Cloud Practitioner. Eles não botavam pressão pra tirar, mas você ganhava reconhecimento e uma remuneração a mais. Do jeito que eu era, não demorou pra botar um objetivo na cabeça: tirar todas elas (kkkkk). Sim, eu queria tirar as 12, sem nunca ter visto AWS na vida.
Acho que foi uma das coisas mais legais que decidi fazer. Comecei a estudar no primeiro mês e, por incrível que pareça, tirei a primeira certificação em 1 mês, o Cloud Practitioner, em 21/02/2026. Até então, só um estagiário tinha tirado uma certificação, e não em 1 mês. O reconhecimento foi muito legal, o gostinho de querer mais ficou, e no segundo mês eu tirei mais uma (kkkkkkk): o AI Practitioner, em 08/03/2026, que me deu a base de como a IA e os LLMs funcionam por trás.
O processo de estudar foi muito legal. Meu horário ia até as 15h, então eu ficava até as 18h e chamava todo mundo no Slack pra estudar junto. Bem, ninguém ia (kkkk), mas assim era bom, porque me obrigava a estudar de forma contínua e sólida. Foi assim que virei o primeiro estagiário a tirar uma certificação em 1 mês, e o primeiro a tirar duas.
Os estagiários
Eu fui o primeiro estagiário daquela leva que a Dati ia contratar naquele ano. Logo foram vindo mais, principalmente pro meu time, e quando eles entraram eu achava todos esquisitos (kkkk). Mas logo nos tornamos muito amigos, e hoje são meus melhores amigos. Eu, o Leonardo Prado Suzin e o Matheus de Paula Ribeiro tivemos uma jornada muito legal e aprendemos muito, mas muito mesmo, juntos.

Vale ressaltar que, nesse meio-tempo, virei seguidor dos usuários de Linux. Aprendi a usar por curiosidade e, meu Deus, era muito bom: ampliava muito o desempenho do PC e tudo era mais rápido. Ressalto isso porque, depois que os estagiários entraram, fiz todos eles instalarem (kkkk).
Depois disso fizemos muitos projetos juntos. Das 15h às 18h, quando geralmente eu ficava sozinho, agora eu tinha companhia pra estudar: geralmente éramos eu, o Matheus, a Yasmin e o Léo. Estudávamos juntos e nos divertíamos. Foi um período muito legal, e tenho muita saudade de tudo isso.
Criando no Labs
O Multi-Agents Framework
Além das certificações, na Dati fiz muitos projetos por conta própria: eles davam muita liberdade pra criarmos coisas e usarmos nossa conta de POC na AWS. Fiz questão de criar muita coisa, e uma delas foi o Multi-Agents Framework, lá pelo meu terceiro mês.
A ideia era simples. A gente usava muito o Kiro CLI, e no Linux eu usava um Arch Linux com Hyprland, um gerenciador de janelas. Pra quem conhece, é simples abrir uns 10 terminais na tela e usar os 10 tranquilamente, e eu fazia isso direto: ficava com uns 4 terminais tocando várias frentes com o Kiro CLI, maximizando minha eficiência. Logo percebi: e se todos esses agents que eu liguei conversassem entre si?
Daí surgiu a ideia do Multi-Agent: muitos agents (IAs que recebem uma tarefa e executam sozinhas, lendo e escrevendo código), cada um definido para uma frente (frontend, backend, review, monitoramento etc.), conversando e trabalhando sozinhos. Exatamente o conceito de subagents que temos hoje, mas naquela época ainda não havia nada disso. Estava engatinhando; claro que já se falava sobre isso, mas a Anthropic (a empresa que faz o Claude) e as grandes empresas ainda não tinham lançado.
Foi um baita projeto, e lembro de ter apresentado na Dati num STT, o Solutions Tech Talk: toda quinta alguém do time fazia uma apresentação pra falar de algo. Deixei meu padrinho orgulhoso (kkkk): o Juan tinha gostado bastante desse projeto e me incentivou a apresentar. Foi uma experiência muito bacana.
Foi com esse projeto que conheci o Dyego Maas. O Maas trabalhava na Dati como terceirizado, fazendo automações, e já tinha a própria consultoria, onde acelerava times a desenvolver com IA. Foi ele que me deu várias dicas pro Multi-Agents Framework, inclusive a arquitetura de waves: os agents trabalham em ondas pra conseguir trabalhar em paralelo, algo como onda 1 com frontend, frontend e backend, e onda 2 com backend, backend e backend.
Ele também me mostrou alguns projetos que tinha no PC, e, cara, era algo de outro mundo. Nada que eu conseguiria fazer com meu Kiro com Opus 4.6 naquela época (kkkkk).
Além desse, criei vários outros projetos. Infelizmente eles ficaram no meu repositório antigo da empresa, ao qual não tenho mais acesso. E sim, o gênio aqui não pegou as coisas quando saiu da empresa.
O hackathon
No meio dessa onda de projetos e certificações surgiu um hackathon focado em IA, o AI Hackathon. Meu grupo era, da esquerda pra direita na foto: eu, a Yasmin, o Léo, a Camilla Maia, o Matheus e a nossa orientadora. Falo mais sobre ele neste post, explicando tudo. Foi uma experiência incrível: um pouco frustrante, mas com certeza me trouxe uma nova perspectiva.

O Palladino e as skills
Aqui entra um personagem muito importante na história: o Marcelo Palladino. Até hoje não me canso de falar que ele foi o maior profissional que já conheci, e o próprio perfil dele fala por si só. Ele entrou na Dati no time de Labs, que era onde eu atuava naquela época, e foi uma baita contratação: todo mundo do contexto de AWS conhece o "Palla", como eu chamava.
Nessa altura já deu pra perceber que eu sou bem intenso. Quando o Palla chegou, fiz questão de falar com ele e, como sempre fui meio empolgado demais, a primeira conversa foi algo assim:
— Opa, Palla, precisava da tua ajuda, cara. Queria tentar usar meus agents melhor, porque os resultados às vezes não vêm como eu quero… blá-blá-blá.
Ele se levanta, respira, olha pra mim:
— Bom dia.
KKKKKKKKKK, cara, isso foi bem engraçado. Eu falando um monte, meio nervoso, nem cumprimentei ele direito. E o jeito do Palla era assim: calmo, sereno, sempre atencioso. O tipo de pessoa que você sabe que te escuta, e percebe que ele pensa em cada detalhe do que você fala.
Depois dessa conversa, cujo tema era basicamente como usar IA melhor, fomos a um quadro da empresa e ele literalmente desenhou pra mim alguns conceitos de engenharia de contexto (como escolher o que a IA precisa saber pra fazer bem uma tarefa) que nem passavam pela minha cabeça. Aí ele me apresentou as skills do Matt Pocock, um dev bem conhecido que publica instruções prontas pra IA. Uma skill é isso: um conjunto de instruções que ensina a IA a trabalhar de um jeito. Essas skills hoje são muito relevantes, e o Matt já se consolidou nessa era de IA; naquela época ele tinha acabado de postar a primeira leva, com o /grill-me, em que a IA te enche de perguntas até o seu plano ficar claro.
Claro que depois disso fui atrás de pesquisar, entender e usar tudo, e logo me surpreendi: as skills do Matt são muito boas mesmo. Ajudam muito a usar IA de forma eficiente e deixam qualquer workflow melhor. Fiquei tão empolgado que quis apresentar: peguei mais um STT pra falar sobre o /grill-me, montei a apresentação por semanas, treinei bastante e me preparei.
A efetivação
Nesse meio-tempo, fui efetivado. Um reconhecimento muito legal de tudo que eu vinha fazendo, e fiquei muito grato.

Agora eu trabalhava mais horas. Como estagiário eu ficava das 15h às 18h estudando, e queria continuar estudando depois de efetivado: não gostava de pensar que só estudava porque tinha mais tempo livre que os outros. Então eu ficava das 18h às 19h estudando, às vezes até as 22h.
Apresentando
Apresentei o /grill-me primeiro internamente, de forma remota, digamos assim: eu apresentava pelo meu notebook e as pessoas estavam em videochamada. Foi muito legal, tive feedbacks muito positivos e me senti confiante pra começar a expressar isso. Vi que eu gostava de falar, de compartilhar as coisas a que dou valor, de ver a reação das pessoas e trazer insights pra elas.
Foi assim que tive a grande oportunidade de apresentar a mesma coisa pro pessoal da Tex Cotton, uma empresa que estava se relacionando com a Dati na época. Só que essa apresentação era diferente: presencial, pra mais de 50 pessoas. Eu não podia deixar de me preparar.

E me preparei muito. Chamei um professor de oratória e treinei por semanas pra aprender a me comportar, gesticular e falar bem. Também contei com uma pessoa muito importante, a Camila Cenci, diretora de novos negócios da Dati. A Camila apresenta muitos eventos e tem, de longe, muita experiência e qualidade nisso. Chamei ela numa sala, apresentei pra ela me dar alguns pontos e, no fim, ela falou:
— Tá muito boa a apresentação. Tenta ficar confortável lá, fazer perguntas, interagir com o público e, por último… arruma esse cabelo!
KKKKKKKK, nessa hora eu ri demais. Foi mais um conto divertido. E na apresentação eu mandei bem demais: estava muito nervoso, mas tinha treinado muito e fiz tudo que a Camila disse. Num certo momento fiquei bem confortável, fiz algumas perguntas pro público e fluiu bastante. Depois tivemos uma conversa com os devs da Tex Cotton, e em geral foi tudo muito divertido.
LinkMeu post no LinkedIn sobre a apresentação ↗A Esteira Lovable
Aqui entra um dos maiores projetos que fiz para a Dati: a Esteira Lovable. Basicamente, um projeto que pega um repositório que veio do Lovable (uma plataforma que gera apps a partir de texto, com IA) e o transforma num repositório totalmente hospedado na AWS.
Foi um projeto muito legal, mas pegou num momento difícil pra mim. Estava acontecendo um milhão de coisas na minha cabeça, eu tinha acabado de ser efetivado no time de IA, e o projeto era do time de Labs. Nas primeiras semanas, eu me perdi bastante.
Quem tocava comigo ainda era o Palla. Tomei algumas chamadas de atenção, mas, como eu disse, nas mãos do melhor profissional que já conheci isso não era grande problema. Ele me deixou calmo, disse pra eu não ter medo e continuar trabalhando, fazendo da forma certa dessa vez. Consegui retomar o projeto.
No fim, entregamos, e o projeto ficou muito bom. O que ficou pra mim foi o aprendizado. Foi uma grande virada de chave na minha vida: eu ficava pensando em como poderia ter feito melhor se tivesse mais conhecimento, mais tempo, se tivesse me empenhado mais.
Hora de arriscar
TDC Floripa
Junto com o projeto da esteira, depois de ser efetivado, a Dati me mandou pro TDC Floripa, o The Developer’s Conference, um dos maiores eventos de desenvolvimento do Brasil. Foi o meu primeiro evento de tecnologia. Postei bastante sobre ele, e conto tudo nesta postagem.

O reencontro
Foi lá que reencontrei o Dyego Maas.
Ele tinha parado de prestar serviço pra Dati pra focar na consultoria, que tinha crescido bastante e precisava de alguém pra ajudar em várias frentes. Daí surgiu uma parceria: combinamos de eu trabalhar pra ele como freelancer, o que seria ótimo pra eu aprender, e eu estava muito empolgado.
A ideia e o projeto do Maas eram geniais, e ele é uma das pessoas mais geniais usando IA que já conheci.
Dois trabalhos ao mesmo tempo
Aqui foi, provavelmente, o período em que eu quase tive um burnout, mas também fiz coisas incríveis. Eu nem tinha começado nada direito com o Maas e ainda estava na Dati, mas, pra mostrar valor pro Maas, decidi que depois do trabalho eu ia criar coisas e mostrar pra ele.
Criei coisas incríveis. Uma delas foi fazer um modelo de geração de imagem chegar exatamente no estilo de arte do Valorant. Também consegui fazer animações com HyperFrames, e os resultados ficaram muito bons.
Bem, isso me custou um pouco da minha saúde mental e do meu rendimento. Acho que faz parte do tipo de pessoa que eu sou, e preciso começar a cuidar disso.
A decisão
No fim, as coisas não aconteceram como eu esperava, e fiquei desesperado: basicamente tudo desandou. Eu não conseguia fazer dois trabalhos ao mesmo tempo, e nem tudo no nosso acordo ia bater, por motivos externos.
Foi aí que, de novo, agradeço às pessoas que estavam do meu lado. O Josimar me ajudou muito nessa etapa e fez de tudo pra ajeitar esses problemas externos. Junto com ele, o Juan foi muito importante: conseguiu me acalmar e me lembrar que as coisas não são tão complicadas. Se não fossem eles, eu não teria me acalmado e pensado melhor.
Nessa etapa eu estava bem desesperado mesmo e queria fazer os dois trabalhos ao mesmo tempo, não importava como. No meio desse funil de um milhão de coisas acontecendo na minha cabeça, recorri a mais uma pessoa, e ela me disse uma coisa que acho que nunca vou esquecer:
— O que você quer?
Eu sei que é simples, mas pelo contexto em que foi dito, pelo jeito que eu estava e pela pessoa que falou (não é tão difícil de adivinhar que foi o Palla), pela primeira vez eu parei pra pensar no que eu queria pra minha vida e tirei um pouco de toda a pressão que sentia naquela hora.
Em pouco tempo eu me decidi. Eu não conseguiria manter dois empregos e queria muito tentar algo novo: a ideia do Maas era genial, e eu estava aprendendo e criando muito. Foi uma decisão difícil; eu realmente já imaginava o resto da minha vida na Dati. Em 13/08/2026 pedi demissão e passei a trabalhar com o Maas como PJ. A Dati foi muito de boa com a minha escolha, e foi tudo bem tranquilo. Mas acho que em alguns momentos da vida a gente precisa arriscar, e acho que ainda tenho bastante tempo pra continuar arriscando.
Hoje. Amanhã.
E foi assim que comecei a trabalhar com o Maas, e é assim que estou hoje: postando meus artigos, fazendo meu site pessoal e começando a criar conteúdo. O primeiro projeto que fiz com o Maas foi o My-Little-Studio, e conto tudo sobre ele nesse outro artigo.
Eu sei que foi bastante texto e parece muita coisa, mas, cara, tudo isso ter acontecido em um ano ainda é incrivelmente difícil de entender. Estou bem feliz agora e me sinto realizado com tudo que fiz. Claro que ainda acho que falta muito, mas, olhando pro eu de um ano atrás, que estava no caixa de um mercado, eu nunca imaginaria tudo isso.
Com tudo isso, guardei o melhor pro final: passar algo motivacional e explicar meu propósito, que faz sentido depois de você ler tudo isso.
Propósito
Lembra da Esteira Lovable, quando eu ficava pensando no que conseguiria fazer se tivesse estudado mais? A resposta está em tudo o que veio depois.
Depois dessa jornada e de tantas emoções, o maior de todos os privilégios que eu tive foi o de aprender. Acredite: aprender é algo difícil de explicar. A sensação de se superar, aprender algo novo e poder construir algo com isso só se entende de verdade vivendo. Tive muitas oportunidades de ver isso acontecendo ao longo dessa jornada, e aprendi muito, em várias áreas.
Depois que você entende isso, e as pessoas demoram pra entender, a perspectiva muda totalmente. Você passa a ver o mundo à sua volta de outro jeito e percebe a complexidade de como as coisas funcionam. Em algum momento dessa jornada, eu percebi o quanto o conhecimento importa. Tudo o que você aprende conta, seja matemática, biologia, química, filosofia ou física: com as ferramentas que temos hoje, dá pra atacar qualquer frente, e quando o que se sabe de uma área passa pra outra, fica inimaginável o que podemos alcançar.
É uma nova era, e provavelmente estamos testemunhando a maior ferramenta que a humanidade já criou. Talvez a gente possa ser as pessoas que vão moldar o futuro dessa nova geração. Mas não se engane: isso exige ampliar os horizontes, com trabalho árduo e dedicação. Por muito tempo, eu estudei no automático: ia às aulas e fazia as tarefas, mas sem vontade de aprender de verdade, só por fazer. Hoje é nisso que eu mais penso, e é o que me move: até onde eu consigo chegar se me especializar e ficar realmente bom numa área, seja ela qual for, junto com uma ferramenta dessas.
E o meu propósito virou algo diferente. Sei que hoje tudo se resume a dinheiro, e eu seria hipócrita em dizer que não penso nisso. Mas, no fim do dia, meu objetivo de vida, com o poder que essas ferramentas têm agora, não é só criar algo incrível: é conseguir afetar a nossa realidade, com algo relevante que influencie de forma positiva o mundo à nossa volta. Acho que me apaixonei pela inovação, e espero chegar perto disso nos próximos anos.
Talvez eu esteja sendo sonhador demais, e tudo isso seja só o delírio de um jovem empolgado (e eu sou bem empolgado mesmo). Talvez… Mas, um ano atrás, se me contassem aonde eu ia chegar, isso também não passaria de um delírio pra mim. E enfim, estamos aqui. Obrigado.

